Após pressão nas redes, Fausto Jr. recua e retira apoio a emendas que adiavam fim da escala 6×1

Deputado do Amazonas retirou assinatura de propostas que ampliavam prazo para redução da jornada de trabalho e virou alvo de críticas após repercussão nacional
Redação O Poder
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O deputado federal Fausto Jr. (União Brasil-AM) retirou sua assinatura de duas emendas apresentadas na Câmara dos Deputados que propunham adiar por até dez anos a implementação do fim da escala 6×1 e da redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas. A decisão ocorreu após forte repercussão negativa nas redes sociais e críticas de setores ligados ao movimento trabalhista.

As emendas faziam parte da discussão da proposta que prevê mudanças na jornada de trabalho no Brasil, incluindo a adoção do modelo 5×2 — cinco dias de trabalho e dois de descanso. Um dos textos previa a manutenção das atuais 44 horas semanais durante uma década para setores considerados essenciais, como saúde, segurança, transporte e abastecimento.

Em nota, Fausto Jr. afirmou que decidiu retirar seu nome das propostas para evitar “distorções” sobre sua posição no debate. Segundo o parlamentar, ele continua defendendo a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, proposta que ganhou força nacional nos últimos meses após mobilização popular e pressão de trabalhadores nas redes sociais.

“A retirada da minha assinatura foi uma decisão pensada para evitar distorções que comprometam a clareza do debate”, declarou o deputado.

Fausto Jr. também argumentou que o prazo de transição de dez anos já constava no texto original da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), apresentada ainda em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). O parlamentar amazonense alegou que as emendas buscavam garantir flexibilização para setores que dependem de funcionamento contínuo.

Mesmo após o recuo, o caso gerou desgaste político para o deputado nas redes sociais. Internautas e movimentos sindicais passaram a associar Fausto Jr. às propostas consideradas contrárias à redução imediata da jornada de trabalho. O tema rapidamente entrou entre os assuntos mais comentados do debate político nacional.

O relator da comissão especial que analisa a proposta, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), já sinalizou que não pretende aceitar uma transição longa para entrada em vigor das novas regras trabalhistas. Segundo ele, as emendas que previam adiamento de dez anos não devem avançar no relatório final.

Atualmente, apenas o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) segue entre os signatários de uma das emendas relacionadas à transição da nova jornada de trabalho.

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