O senador Plínio Valério (PSDB-AM) criticou nesta semana o corte de R$ 4,3 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa promovido pelo Governo Federal e afirmou que a medida pode comprometer ações estratégicas de combate ao narcotráfico e ao crime organizado nas fronteiras da Amazônia.
Durante pronunciamento no Senado Federal, o parlamentar amazonense demonstrou preocupação com a suspensão de operações conduzidas pelo Exército Brasileiro em áreas de fronteira, especialmente nas regiões que fazem divisa com a Colômbia e o Peru, consideradas rotas utilizadas por organizações criminosas para o tráfico de drogas e outros ilícitos.
Segundo Plínio, parte significativa dos recursos contingenciados seria destinada às atividades do Exército, responsáveis pelo monitoramento e fiscalização de áreas estratégicas da Amazônia. O senador destacou que a redução orçamentária ocorre em um momento de crescente preocupação com a atuação de facções criminosas na região Norte.
“O Exército Brasileiro não vai mais poder fiscalizar as fronteiras deste país com a mesma intensidade. Essas operações são fundamentais para combater o narcotráfico e impedir a entrada de organizações criminosas em território nacional”, afirmou.
O parlamentar também questionou as prioridades adotadas pelo Governo Federal na aplicação dos recursos públicos. Em seu discurso, Plínio comparou o contingenciamento na área da Defesa com a manutenção de operações de fiscalização ambiental conduzidas por órgãos federais em municípios do Amazonas.
Segundo ele, enquanto faltam recursos para ampliar o controle das fronteiras, continuam sendo executadas ações contra atividades consideradas ilegais em áreas de garimpo da região. O senador afirmou que muitas dessas operações atingem famílias que dependem do extrativismo e da atividade garimpeira para sua subsistência.
Parceiro de projetos desenvolvidos pelas Forças Armadas no Amazonas por meio da destinação de emendas parlamentares, Plínio Valério defendeu o fortalecimento da presença do Estado nas áreas de fronteira e classificou como preocupante qualquer redução de investimentos voltados à segurança nacional.
Ao encerrar o pronunciamento, o senador afirmou que continuará cobrando explicações do Governo Federal e defendendo medidas que reforcem o combate ao crime organizado na Amazônia, tema que considera prioritário para a segurança da população amazonense e para a soberania nacional.