A recente morte de Clériston Pereira da Silva, preso do 8 de janeiro, trouxe à tona uma onda de indignação e levantou questionamentos sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes e do Supremo Tribunal Federal (STF).
No Congresso, o deputado Nikolas Ferreira repercutiu a morte de Clériston, alegando negligência jurídica do ministro Alexandre de Moraes. Ele questionou a falta de mobilização da esquerda e da mídia diante da morte do preso do 8 de janeiro na Papuda. O deputado fez um apelo por justiça, pedindo a deposição do ministro e destaca a desumanização do opositor político.
Clériston faleceu após ser preso, e o deputado Nikolás Ferreira acusa diretamente o ministro Alexandre de Moraes de negligência jurídica, alegando que o detento tinha problemas cardíacos e que sua prisão teria sido uma sentença de morte. A narrativa apresentada destaca que Clériston não era um criminoso violento, mas sim um homem que participava de manifestações pacíficas.
O deputado expressou sua perplexidade com a aparente falta de mobilização da esquerda e da mídia diante da morte de Clériston. Ele argumentou que a desumanização do opositor político é um fenômeno que precede eventos trágicos como esse e ressalta a necessidade de enxergar a humanidade em cada indivíduo, independentemente de suas convicções políticas.
“Por que não vemos mobilização da esquerda, comoção da mídia, por um homem preso sem necessidade, morto injustamente? Isso reforça meu argumento de que, antes de genocídios físicos, há um genocídio cultural.”, declarou Nikolas.
“Esse homem, para a esquerda, para a mídia e para muitos deputados que inclusive estão aqui, que defendem democracia, liberdade, amor para com os próximos, direitos humanos, na verdade eles não veem essa pessoa como um ser humano. Foi tirado a personalidade humana do opositor político.”, acrescentou.
Nikolas Ferreira faz um apelo emocional às autoridades, pedindo que o presidente da casa e o senador Rodrigo Pacheco, assim como outros membros do STF, tomem medidas quanto à atuação do ministro Alexandre de Moraes. Ele destaca que a justiça precisa ser feita não apenas como uma questão política, mas como uma resposta humanitária diante da tragédia enfrentada pela família de Clériston.
O deputado vai além e critica o que ele chama de “ativismo judicial” por parte do ministro Alexandre de Moraes, alegando que suas ações têm gerado inconsistência e desequilíbrio no país. Ele destaca que Moraes foi alertado sobre a situação de Clériston dois meses antes, mas não agiu, e agora a justiça não pode reverter a morte do detento.
A morte de Clériston gerou uma onda de pressão sobre o ministro Alexandre de Moraes, tornando-o o recordista de pedidos de impeachment no Senado. Parlamentares discutem protestos, impeachment e a possível criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar abusos do STF, refletindo o clima de descontentamento e desconfiança em relação ao sistema judiciário brasileiro.
Preso do 8 de janeiro morreu após recomendações terem sido ignoradas por Alexandre de Moraes
Na manhã desta segunda-feira (20), Clériston Pereira da Silva, um dos detentos relacionados ao incidente de 8 de Janeiro, faleceu nas dependências da Papuda aos 45 anos. O autodenominado ‘patriota’ possuía comorbidades decorrentes da COVID-19, conforme atestado por laudos médicos. A defesa alegou, em três petições ao STF, que essas condições justificavam a substituição da prisão preventiva pela domiciliar, citando o artigo 318, II, do CPP. A Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu, em setembro, parecer favorável à liberdade provisória, somada a medidas cautelares, mas as recomendações foram ignoradas pelo ministro relator dos inquéritos, Alexandre de Moraes.
Outro detento, Geraldo Filipe, preso por suposta depredação de prédios públicos sem evidências conclusivas, também teria recebido aval da PGR para responder em liberdade. No entanto, essa recomendação foi desconsiderada por Moraes, levando a tensões e a uma tentativa de ‘rebelião’ na Papuda.
A advogada Tanielly Telles de Camargo, representante de Geraldo Filipe, lamentou o ocorrido, afirmando que a morte de Clériston era uma “tragédia anunciada”. Ela destacou a revolta dos detentos, sujeitos a forte represália, e questionou a resposta do sistema judicial diante das condições de saúde e das recomendações da PGR.