Irmão do prefeito tenta minimizar agressão à vereadora e recebe resposta épica de deputada

Deputada rebate tentativa do irmão do prefeito de minimizar agressão a vereadora, destacando que violência contra a mulher vai além de ataques físicos.
Redação O Poder
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O clima esquentou na Assembleia Legislativa do Amazonas quando o deputado Daniel Almeida tentou minimizar a acusação de ataques verbais e intimidação contra a vereadora Professora Jacqueline, envolvendo vereadores da base aliada do prefeito David Almeida na Câmara Municipal de Manaus (CMM), desencadeando uma resposta épica da deputada Alessandra Campêlo, procuradora da Procuradoria Especial da Mulher da Aleam.

Durante sua intervenção na sessão desta quarta (28), o deputado Daniel Almeida, irmão do prefeito, sugeriu que não houve violência contra a vereadora Jaqueline durante um tumulto na Câmara. Ele argumentou que a discussão entre parlamentares é algo normal e que não houve agressão física visível nas imagens disponíveis.

“Não é qualquer coisinha, qualquer discussão que vai denegrir a imagem da mulher, ofender a honra da mulher ou coisa parecida”, declarou Daniel.

Entretanto, a deputada Alessandra Campêlo não poupou palavras ao rebater as afirmações do colega. Ela destacou que a violência contra a mulher não se resume apenas a agressões físicas diretas, mas também inclui aspectos como violência psicológica, moral e intimidação. Campêlo enfatizou que tal comportamento não seria aceito, reforçando a importância de se reconhecer e combater todas as formas de violência contra as mulheres.

“Aqui, dentro da Assembleia, o senhor não vai defender agressor não, porque eu não vou permitir, a gente vai para o debate. Intimidar uma mulher. Isso é violência política”, declarou a deputada, ressaltando a importância de se defender os direitos das mulheres no ambiente político e em todas as esferas da sociedade.

“Se um colega deputado homem aqui fosse na sua cara colocar o dedo em riste, gritar com o senhor, o senhor não ia aceitar. Então eu não vou aceitar, porque existe uma lei nesse país que proíbe. Nós mulheres quando a gente vem pra cá, a gente ainda tem que cuidar da família, dos filhos, da educação, dos parentes, e ninguém dá suporte pra gente. A gente tem que ter dupla jornada, e nós não vamos admitir. E aqui, nesta casa, onde eu estou, ninguém defende agressor e eu fico calada.”, acrescentou a parlamentar.

A deputada também apontou para a gravidade do problema, alertando que minimizar situações como essa poderia contribuir para um ambiente propício a relacionamentos abusivos e até mesmo casos extremos de violência contra a mulher.

“Isso não é coisinha. Isso não é coisinha. É com uma coisinha dessas que começa um relacionamento abusivo, não só na política, mas na vida pessoal.”, também disse Alessandra.

Nesta terça-feira (27), um bate-boca ocorrido entre vereadores na Câmara Municipal terminou com parlamentares da base governista sendo acusados de ataques verbais e intimidação contra a vereadora Professora Jacqueline, que expôs uma série de denúncias sobre suposto uso da máquina pública e perseguição política na área da educação.

Veja a matéria anterior:

Bate-boca na CMM termina com parlamentares acusados de intimidar vereadora

Veja o vídeo da Aleam:

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