Manaus – AM
Com honras de chefe de estado, o corpo do ex-governador Amazonino Mendes, que tinha 83 anos de idade, começou a ser velado no hall do Teatro Amazonas, no Centro Histórico de Manaus, na tarde desta quinta-feira (16). O corpo chegou de São Paulo (SP) no final da manhã. O político faleceu no último fim de semana após ter sido internado com problemas de saúde em um hospital particular da capital paulista.
Familiares, amigos e autoridades foram os primeiros a prestar as homenagens a Amazonino Mendes no funeral.
Armando Mendes, filho do ex-governador, comentou sobre o legado e a história do pai. “É um legado contínuo. Não dá para escolher um, é a própria vida dele, a própria figura dele. Não tem como escolher um legado.”, disse.
Sobrinha de Amazonino, Mônica Mendes lembrou que o ex-governado saiu de um seringal na região do Rio Eiru, no município de Eirunepé (AM), e se tornou o maior líder político da história do Amazonas.
“Amazonino foi um caboclo que veio lá do Rio Eiru, em Eirunepé, município onde nasceu. Ele veio de lá sonhando e realizou o sonho dele porque ele acreditou. Eu tenho certeza que o que ele diria para o povo do Amazonas é nunca deixar de sonhar e acreditar, porque ele lutou até o fim. Ele nunca desistiu de lutar. Eu tenho certeza que tudo o que ele fez foi em prol do que ele acreditava, que era um Amazonas melhor, um Amazonas digno, que as pessoas tivessem acesso aos serviços. E ele sempre falava: eu estou fazendo a minha obrigação.”, relatou a sobrinha.
Robério Braga, que foi secretário estadual de cultura nas gestões de Amazonino falou da liderança política e da relevância do ex-governador.
“É uma perda grandemente lamentável para o Amazonas, porque ele era uma cabeça pensante, era um idealista, era um realizador e era um vitorioso. Aquele que levou o Amazonas a ter, audaciosamente, uma universidade publica estadual de grande projeção, de grande qualidade em 61 municípios. E realizou uma política cultural invejável, que continua sendo aprimorada, ajustada e corrigida, mantida por todos os governos, o que é um privilégio de todos os amazonenses.”, comentou o amigo.
“Amazonino era um homem solidário, um grande amigo. Há inúmeras pessoas nessa cidade que receberam atenção pessoal do Amazonino, não do governador. A cirurgia, a casa que caiu, que alagou, a roupa, o sepultamento, a comida, o leite do meu filho, o direito à vida, há inúmeras vitórias.”, acrescentou Braga.
Por volta das 17h, a entrada do público para o velório foi liberada. Horas antes já havia vários populares na fila para também se despedir de Amazonino. As pessoas deixavam o local emocionadas.
“Também vim me despedir do nosso ‘Negão’. Esse homem viveu para o Amazonas, ajudou muito o povo de Manaus e o do interior. Acredito que não terá nenhum outro governante igual. Realmente ele vai ficar na história.”, declarou dona Francisca Cordeiro, que se disse fã e eleitora do ex-governador.
O velório aberto ao público no Teatro Amazonas segue nesta sexta-feira (17). Na manhã de sábado (18), será realizado um culto reservado à família e a solenidade de honras militares. Às 9h, ocorrerá a saído do cortejo, que terá como destino final à solenidade de cremação reservada à família. O governo do Estado promoveu o funeral após diálogo com a família do ex-governador.
Amazonino foi quatro vezes governador do Amazonas, três vezes prefeito de Manaus e uma vez senador da República. Um de suas grandes criações como gestor público foi a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Em 1988, ele também inaugurou o Bumbódromo de Parintins, onde acontece o Festival Folclórico e que tem projeção internacional.
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