Ibovespa tem pior fevereiro em 22 anos

Bolsa de Valores de São Paulo registra pior fevereiro em 22 anos, com queda de 7,49% e cenários interno e externo negativos pesando no desempenho.
Redação O Poder
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O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), terminou fevereiro com uma baixa histórica: 7,49% aos 104 mil pontos. O valor representa a pior marca registrada no mês em 22 anos, com exceção do ano de 2020, quando as restrições de contenção da pandemia de covid-19 provocaram quedas generalizadas no mercado.

As incertezas do cenário econômico global e doméstico puxaram o Ibovespa para baixo. O indicador é o mais importante parâmetro de desempenho médio das cotações das ações negociadas na B3.

Na conjuntura interna, a queda de braço entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Banco Central (BC) preocupou investidores, que temem alguma forma de intervenção na política monetária.

No início de fevereiro, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve a taxa básica de juros Selic em 13,75% ao ano. Os cortes nos juros são um acontecimento cada vez mais distante, face ao aumento do risco fiscal e perspectivas de inflação mais alta.

O pacote econômico para ajuste das contas públicas apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) não convenceu o mercado, que ainda aguarda o novo arcabouço fiscal, que deve ser divulgado em março.

“Vimos volatilidade causada por esses fatores, somada a um cenário externo mais negativo, que resultou nessa realização do Ibov em fevereiro”, afirma o analista da Ágora Investimentos Ricardo França.

Nesta toada, durante o mês o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não poupou críticas aos juros altos e à gestão de Roberto Campos Neto no BC. Para o líder do PT, a culpa pela taxa Selic estar elevada é da autoridade monetária, que trabalha de forma independente para conter a inflação.

Fora a questão política, os balanços do quarto trimestre de 2022 penalizaram os bancos, que tiveram os resultados impactados pela crise nas Americanas. Já o varejo continua sofrendo pela pressão na curva de juros.

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Cenário externo

Nas últimas semanas, os investidores acompanharam as novas estimativas para a “taxa terminal” de juros nos EUA. Segundo o Bank Of America, no final do ciclo de aperto monetário, o país deverá ter juros entre 5,25% e 5,5% ao ano, o maior patamar desde Hoje, a taxa está entre 4,5% e 4,75% ao ano.

Como consequência da crise econômica, o país liderado por Joe Biden enfrenta uma inflação que chega aos 6,4% em 12 meses, a maior em 40 anos.

Além disso, as preocupações em torno de uma possível recessão na principal economia do mundo também impactam negativamente os demais mercados. Com os títulos do Tesouro norte-americano rendendo cada vez mais, os ativos de risco globais perdem a atratividade, principalmente aqueles ligados a países emergentes, como o Brasil.

Foto: Reprodução

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