O Amazonas deu um passo estratégico para consolidar sua posição no mapa global da cafeicultura. A sanção da Lei nº 8.139/2026, de autoria do deputado estadual João Luiz (Republicanos), estabelece um novo paradigma para o setor primário: a prioridade obrigatória na compra do café “Robusta Amazônico” por órgãos da administração pública estadual. A medida, no entanto, é apenas a base de um plano maior que visa levar o sabor da floresta para o mercado internacional, com foco imediato na China.
Como presidente do Núcleo de Relações Internacionais do Amazonas (Nuriam/Aleam), o parlamentar já lidera as tratativas com representantes chineses. O interesse é concreto: uma demanda inicial de uma tonelada produzida por agricultores familiares do estado, com potencial de crescimento exponencial.
Do Campo para o Mundo
A nova legislação cria um mercado institucional estável, garantindo que os recursos investidos pelo Estado circulem dentro da própria economia rural amazonense. “Estamos falando de soberania alimentar e econômica. Onde o governo for comprar café, o nosso produtor terá a preferência. Isso injeta milhões de reais diretamente no bolso de quem planta”, destaca João Luiz.
A força do projeto reside nos números. Municípios como Apuí, Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã e Rio Preto da Eva tornaram-se polos de alta performance. Nestas regiões, o uso de tecnologia e assistência técnica permitiu que a produtividade do Robusta Amazônico superasse em mais de 200% a das variedades tradicionais.
A Rota da Seda do Café
A aposta no mercado chinês não é por acaso. Entre 2024 e 2025, as exportações brasileiras para a China apresentaram uma expansão recorde. Somente em agosto de 2025, 183 novas empresas brasileiras foram habilitadas para exportar ao país asiático.
“Os chineses estão descobrindo o café brasileiro, e o diferencial do Robusta Amazônico é o seu apelo sustentável e exótico. A demanda pode quadruplicar rapidamente conforme a rede logística se consolide”, pontua o parlamentar.
Suporte Público e Investimento Recorde
Para sustentar essa expansão, João Luiz já destinou mais de R$ 8 milhões em emendas parlamentares voltadas ao setor primário desde 2019. O aporte financeiro é complementado pelo suporte técnico do Idam e da Embrapa Amazônia Ocidental, que atuam na ponta, difundindo inovação e garantindo que o grão amazonense atenda aos rigorosos padrões internacionais de qualidade.
Com a nova lei e a abertura de canais de exportação, o ciclo da cafeicultura no Amazonas deixa de ser apenas uma atividade de subsistência para se tornar um pilar de exportação e orgulho regional.