A integração terrestre do Amazonas com o restante do Brasil deu um passo fundamental nesta segunda-feira (13). O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) publicou, no Diário Oficial da União, três editais de licitação destinados à contratação de empresas especializadas para as obras de melhoramento e pavimentação do chamado “trecho do meio” da BR-319.
A medida atende a uma das reivindicações mais antigas e sensíveis da sociedade amazonense. O asfaltamento do trecho central é visto como o “elo perdido” para tirar o estado do isolamento terrestre definitivo, permitindo o fluxo constante de passageiros e mercadorias entre Manaus e Porto Velho (RO).
Para conferir agilidade ao processo e garantir a viabilidade técnica, a Superintendência Regional do Dnit no Amazonas dividiu a recuperação do trecho central em três frentes de trabalho simultâneas:
Lote 1: Do quilômetro 250,7 ao 346,2.
Lote 2: Do quilômetro 346,2 ao 433,1.
Lote 3: Do quilômetro 469,6 ao 590,1.
Com essa segmentação, o governo federal busca atrair consórcios que possam atuar de forma coordenada, acelerando a presença de máquinas na pista. O edital já está aberto para propostas, sinalizando que a rodovia saiu da esfera das promessas para entrar na fase de execução contratual.
Impactos Positivos
O destravamento do “trecho do meio” traz impactos diretos na economia do Amazonas. A pavimentação deve reduzir drasticamente o frete de produtos básicos e insumos, que hoje sofrem com a sazonalidade e a precariedade da via. Além disso, a rodovia é essencial para o escoamento da produção da Zona Franca de Manaus e para o abastecimento de combustíveis e alimentos em municípios do sul do estado.
No campo político, o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que tem articulado a liberação das obras junto ao governo federal, destacou que este avanço consolida um cronograma de entregas. “O trecho do meio começa a ganhar forma após anos de espera. Isso se soma a vitórias recentes, como a liberação da ponte sobre o Rio Curuçá e a fase final da ponte sobre o Autaz Mirim”, pontuou o parlamentar.
O Contexto Ambiental e a Soberania
A pavimentação da BR-319 sempre foi um tema complexo devido às exigências ambientais. No entanto, o avanço dos editais sinaliza que o diálogo entre infraestrutura e sustentabilidade amadureceu, priorizando a soberania nacional e a dignidade das populações que vivem às margens da rodovia e que, durante décadas, ficaram à mercê do barro e do isolamento nas épocas de chuva.