“Eu acho que essa politicagem tem que ter limites”. A frase é do vereador Elan Alencar (DC) e foi pronunciada durante o episódio 17 da 2ª temporada do PoderCast, transmitido nesta sexta-feira (10). O político se referiu ao posicionamento de vereadores contra o prefeito David Almeida depois que o executivo local emitiu um projeto de lei que previa um empréstimo de R$ 600 milhões junto ao Banco do Brasil. O projeto foi derrubado pela Câmara Municipal de Manaus (CMM), o que desencadeou um cenário de tensão entre Almeida e vereadores que atuaram na oposição ao pedido.
Para Alencar, o empréstimo era necessário para abastecer Manaus de recursos para investimentos em infraestrutura. Dentre as medidas consideradas necessárias por ele, o vereador citou: asfaltamento de ruas, desassoreamento de igarapés, construção de Unidades Básicas de Saúde (UBS) e crechês. “Acham que se o prefeito tiver condição financeira de trabalhar mais, ele estará melhor avaliado. Eu acho que não vale tudo nesse jogo político. A condição de investimento tem que acontecer”, disse.
O vereador comentou a notícia de que David Almeida pretende reenviar o projeto de lei à Câmara. Alencar afirmou que o prefeito pretende alterar o valor do pedido de empréstimo e alterar o corpo do projeto. “O objeto seria o mesmo, em relação à questão de operação de crédito, haveria um valor diferente e explicações sobre para que seria direcionado esse empréstimo”, declarou.
Frente climática
Alencar aproveitou a ocasião para falar sobre a frente climática proposta nesta semana na Câmara. Na sessão plenária da CMM de terça-feira (7), houve debates a respeito de questões climáticas e políticas voltadas a temas ambientais. O secretário municipal de meio ambiente e sustentabilidade Antonio Stroski esteve presente.
Durante a sessão, Alencar citou a criação de uma frente parlamentar climática. Segundo o vereador, a iniciativa seria voltada a uma atuação dela junto aos governos, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos (Ibama), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), e outros órgãos ligados ao meio ambiente.
No PoderCast, Alencar comentou sobre práticas econômicas que ele considera “predatórias”. “O estado vizinho ao Pará não tem a Zona Franca de Manaus. A atividade econômica deles é o minério e agronegócio. Eles usam a prática de queimadas para ter o pasto revitalizado”, disse.
O político afirmou, também, que atualmente existe tecnologia de mecanização do solo que permite o trabalho agropecuário sem o uso de queimadas. Por outro lado, a tecnologia atualizada é cara, segundo Alencar.
Para o vereador, a necessidade das políticas ambientais ocorre para que o poder público possa se antecipar a práticas de queimadas que tendem a ocorrer em 2024. “A intenção da frente parlamentar climática é criar um corpo permanente do poder legislativo dentro das discussões das secretarias e até do governo federal”, afirmou.