O ex-assessor do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, Eduardo Tagliaferro, afirmou nesta terça-feira (2) que o clima de trabalho com o magistrado era pesado e negativo.
A declaração ocorreu na Comissão de Segurança Pública do Senado, onde Tagliaferro disse que o ambiente era um dos “piores possíveis”.
“De fato, o desembargador, agora, Airton, não só naquele incidente, naquele auge — ele tinha me relatado aquilo — como, algumas vezes, em encontros pessoais, em ligações, ele sempre frisava, ele sempre trazia isso. Inclusive, ele me trouxe um fato que foi anterior às eleições de 2022: foi no 7 de setembro. Ele desmaiou. Ele estava, acho que em Batuva, e, de tanto nervoso, de tanta pressão, acabou desmaiando, passando mal. E, assim, era terrível o ambiente de trabalho”, declarou Tagliaferro.
Denúncias sobre pressão e ameaças
Eduardo Tagliaferro, ex-assessor-chefe da Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou que tentava manter um clima positivo no gabinete, mas enfrentava ameaças de exoneração e uma carga emocional intensa:
“Eu tentava não passar isso para o meu gabinete, mas recebia uma carga muito negativa, com palavras que nem sempre eram boas, com ameaças de exoneração. E eu também tentava, dentro da assessoria, não repassar essa pressão — salvo quando via algum problema ali, e precisava mostrar para eles: ‘Olha, gente, está difícil, eu estou sofrendo essa pressão, não sei o que fazer, preciso ajudar vocês, mas vocês têm que me ajudar também’”.
Áudio vazado e desgaste no STF
O depoimento de Tagliaferro ocorreu após o vazamento de um áudio do juiz Airton Vieira, que auxiliou Moraes entre 2018 e março de 2025. Vieira relatou desgaste físico, emocional e psicológico intenso provocado pela rotina no Supremo.
Segundo Tagliaferro, o ambiente de trabalho sob Alexandre de Moraes era marcado por pressões constantes, afetando não apenas ele, mas também outros assessores da Corte.