Em um movimento estratégico para afastar qualquer suspeita de conflito de interesses durante seu mandato-tampão, o governador interino do Amazonas, Roberto Cidade (União), determinou o cancelamento e a suspensão imediata de todos os contratos vigentes entre o Governo do Estado e empresas vinculadas à sua família.
A medida foi anunciada nesta quarta-feira (08/04) e atinge diretamente prestadores de serviço que mantinham vínculos com o Executivo estadual antes mesmo de Cidade assumir o comando da Casa. O governador ressaltou que, embora não integre o quadro societário das empresas mencionadas — como a RR Serviços de Transportes e Navegação e a Navegação Cidade LTDA —, a decisão visa resguardar a lisura da gestão pública.
Acordo com Órgãos de Controle
Para garantir que a suspensão dos contratos não resulte na paralisação de serviços essenciais, especialmente no transporte escolar e logística, Roberto Cidade orientou a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e a Procuradoria Geral do Estado (PGE) a atuarem em conjunto.
A determinação é que as pastas construam, junto ao Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O objetivo do documento é dar segurança jurídica para:
Viabilizar a suspensão dos serviços das empresas ligadas à família do governador.
Formalizar a contratação imediata de novas empresas para assegurar que a população não seja prejudicada.
Transparência e Responsabilidade
Nos bastidores do Palácio da Compensa, a medida foi vista como um “cartão de visitas” da nova postura de Cidade à frente do Executivo. Ao abrir mão de contratos familiares que já estavam em curso na gestão anterior, o governador interino tenta blindar sua imagem política e administrativa, focando na legalidade e na responsabilidade fiscal.
“A medida reforça o compromisso do Governo com a transparência e a responsabilidade na gestão pública”, informou a administração estadual em nota. Com o movimento, Roberto Cidade sinaliza aos órgãos de controle e à sociedade que sua prioridade será a gestão técnica e a manutenção da estabilidade institucional até que o cenário sucessório seja definido.