No último feriado de 1º de maio, o governador Edilson Damião (União Brasil) oficializou sua pré-candidatura à reeleição para o Governo de Roraima. O anúncio, marcado por tom otimista, ocorre em um momento de extrema fragilidade jurídica: apenas um dia após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluir o julgamento que cassou o seu mandato e o de seu antecessor, Antonio Denarium.
O motivo da cassação
A decisão do TSE, finalizada em 30 de abril de 2026, confirmou que a chapa eleita em 2022 cometeu abuso de poder político e econômico. Entre as irregularidades apontadas pelos ministros e que fundamentaram a perda do mandato, estão:
• Uso eleitoral de programas sociais: A distribuição desenfreada de benefícios através dos programas “Cesta da Família” e “Morar Melhor” durante o ano da eleição.
• Repasses milionários: O envio de cerca de R$ 70 milhões a prefeituras aliadas sem critérios técnicos ou observância legal.
• Gastos publicitários: A extrapolação dos limites permitidos para propaganda institucional em período vedado.
• Reforma de residências: O uso de recursos públicos para reformar casas de particulares em troca de apoio político.
Inelegibilidade de Denarium e novas eleições
Enquanto Damião tenta manter o capital político lançando-se candidato, o ex-governador Antonio Denarium sofreu um revés ainda maior: o TSE confirmou sua inelegibilidade por oito anos. Com isso, Denarium — que renunciou em março para tentar o Senado — está fora da disputa eleitoral até 2030.
A Corte determinou a execução imediata da decisão, o que implica no afastamento de Edilson Damião e na convocação de novas eleições diretas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RR), uma vez que a nulidade atingiu mais de 50% dos votos de 2022.
Mesmo diante do cenário de “fim de governo” judicial, Damião aposta em recursos protelatórios para se manter no cargo e na viabilidade de sua pré-candidatura, desafiando a jurisprudência estabelecida em Brasília.