A disputa pelo Governo do Tocantins em 2026 ganhou um novo capítulo. Levantamento do Paraná Pesquisas encomendado pelo Grupo Norte mostra um cenário de polarização entre a senadora Professora Dorinha e o deputado federal Vicentinho Júnior.
No cenário estimulado principal, quando os nomes dos pré-candidatos são apresentados aos eleitores, Dorinha aparece numericamente à frente, com 35,9% das intenções de voto. Vicentinho Júnior vem logo em seguida, com 33,3%. A diferença entre os dois é de 2,6 pontos percentuais, dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2,7 pontos percentuais para mais ou para menos.
Na sequência aparecem o vice-governador Laurez Moreira, com 8,8%, e o ex-senador Ataídes de Oliveira, com 6,9%. Os eleitores que declararam voto em nenhum, branco ou nulo somam 8%. Outros 7,2% não souberam ou não opinaram.
A pesquisa foi realizada pelo Paraná Pesquisas entre os dias 20 e 22 de junho de 2026, por meio de entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais. Ao todo, foram ouvidos 1.340 eleitores em 58 municípios do Tocantins. O levantamento tem grau de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número TO-07317/2026.
Vicentinho lidera na espontânea
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos pré-candidatos não são apresentados, Vicentinho aparece numericamente à frente, com 13,6%. Dorinha tem 12,8%. A diferença também está dentro da margem de erro.
Laurez Moreira registra 2,1%. Ataídes de Oliveira e Wanderlei Barbosa aparecem com 1,3% cada. Kátia Abreu tem 0,4%, e outros nomes citados somam 0,6%.
O dado mais importante da espontânea, porém, é o alto nível de indefinição: 61,8% dos eleitores disseram não saber ou não opinaram. Outros 6% declararam voto em ninguém, branco ou nulo.
Esse recorte reforça que Vicentinho tem presença de lembrança junto ao eleitorado e se consolida como principal nome de oposição com competitividade real contra a candidatura governista.
Confronto direto reforça empate técnico
O Paraná Pesquisas também testou um cenário direto entre Dorinha e Vicentinho. Nesse caso, Vicentinho aparece numericamente à frente, com 44,1%, enquanto Dorinha registra 42,5%.
A diferença é de 1,6 ponto percentual, também dentro da margem de erro. No mesmo cenário, 8,5% disseram votar em nenhum, branco ou nulo, e 4,9% não souberam ou não opinaram.
O conjunto dos dados mostra uma disputa concentrada em dois polos. Dorinha lidera numericamente na estimulada com mais candidatos. Vicentinho aparece numericamente à frente na espontânea e no confronto direto. Em todos os recortes, porém, há empate técnico.
Nova pesquisa muda leitura do cenário
O resultado do Paraná Pesquisas muda a leitura da eleição no Tocantins porque reduz a percepção de vantagem confortável da pré-candidata governista e reforça um quadro de competição direta entre Dorinha e Vicentinho.
Em pesquisa Real Time Big Data divulgada em junho, Dorinha aparecia com 33% no primeiro cenário, contra 23% de Vicentinho. Laurez Moreira tinha 17%. Em outro cenário, sem Kátia Abreu, Dorinha marcava 35%, Vicentinho 25% e Laurez 22%.
Já a pesquisa Vox Tocantins, também divulgada em junho, apresentou Vicentinho numericamente à frente, com 36,9%. Dorinha aparecia com 31,1%, Laurez com 11,8% e Ataídes com 3,3%.
O levantamento do Paraná Pesquisas fica entre esses dois retratos anteriores. Não confirma uma vantagem ampla de Dorinha, como indicou a Real Time, nem uma liderança consolidada de Vicentinho, como apontou a Vox. O principal dado novo é a confirmação de uma eleição polarizada e sem vantagem consolidada para nenhum dos dois principais pré-candidatos.
Dorinha tem maior estrutura, mas disputa segue apertada
Um dos pontos políticos mais relevantes do levantamento é que, mesmo com a maior estrutura política do estado, Dorinha aparece tecnicamente empatada com Vicentinho.
A senadora conta com apoio direto do governador Wanderlei Barbosa e de um bloco partidário amplo, formado por forças como União Brasil, Republicanos, PL, Progressistas e Podemos. Sua pré-candidatura se apresenta como o principal projeto de continuidade do grupo que hoje comanda o Palácio Araguaia.
Essa estrutura inclui base municipal, apoio de prefeitos, partidos com capilaridade e conexão direta com a máquina estadual. Ainda assim, a vantagem de Dorinha sobre Vicentinho no cenário completo é apenas numérica e está dentro da margem de erro.
Na prática, a pesquisa mostra que o apoio do governo e a força da base política são ativos importantes, mas ainda não se converteram em distância segura na preferência do eleitorado.
Rejeição acende alerta para Dorinha
A rejeição também ajuda a explicar o equilíbrio da disputa. Segundo o Paraná Pesquisas, Dorinha tem o maior índice entre os nomes testados para o governo: 31% dos entrevistados disseram que não votariam nela de jeito nenhum.
Laurez Moreira aparece com 23,1% de rejeição. Vicentinho Júnior tem 19,7%, e Ataídes de Oliveira registra 16,8%. Como a pergunta permitia mais de uma resposta, os percentuais podem ultrapassar 100%.
O dado impõe uma leitura dupla sobre Dorinha. Ela lidera numericamente o cenário estimulado principal, mas também concentra a maior resistência entre os nomes testados. Isso indica força eleitoral, mas também mostra um teto de rejeição que pode pesar em uma disputa polarizada.
Para Vicentinho, o levantamento mostra um posicionamento competitivo: ele empata tecnicamente com Dorinha na estimulada, lidera numericamente na espontânea, aparece à frente no confronto direto e tem rejeição menor que a da senadora.