Guerra declarada em Rondônia: Marcos Rocha usa ‘canetada’ em massa para expulsar aliados do vice

Governador de Rondônia inicia semana de "limpeza" administrativa após confirmar que não renunciará ao cargo; bastidores revelam acusações de traição ocorridas durante crise internacional em Israel
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O que era uma aliança de confiança absoluta em 2022 transformou-se em uma guerra aberta de aniquilação política. A edição suplementar do Diário Oficial desta quarta-feira (8), repleta de exonerações de aliados do vice-governador Sérgio Gonçalves, é o capítulo final de um enredo que envolve espionagem política e acusações de “torcida pela morte” do titular.

O ponto de não retorno entre os dois mandatários ocorreu em julho de 2025, quando o governador Marcos Rocha (União) cumpria missão oficial em Israel. Sob ataques de mísseis e com o espaço aéreo fechado, Rocha quase perdeu o cargo por excesso de prazo fora do país. Nos bastidores, ele acusa Gonçalves de ter articulado junto à Assembleia Legislativa (ALE-RO) para que os deputados não votassem a autorização de sua ausência, o que resultaria na perda imediata do mandato.

“Queriam que eu morresse”

Em um desabafo público que chocou a política rondoniense em Guajará-Mirim, Rocha foi enfático ao sugerir que o grupo de seu vice não esperava apenas sua queda política, mas física.

“Havia gente recebendo notícias e querendo que a gente morresse lá para assumir o governo”, disparou o governador na época.

Essa declaração transformou o embate administrativo em uma questão de honra pessoal. Desde então, a relação tornou-se puramente protocolar, culminando agora no anúncio de que Rocha não deixará a cadeira para disputar o Senado. A decisão foi o “tiro de misericórdia” nas pretensões de Sérgio Gonçalves, que já tinha sua equipe pronta para assumir o governo por nove meses.

O Expurgo Estratégico

As exonerações desta semana não foram aleatórias. Elas atingiram cargos estratégicos na SEDEC (Secretaria de Desenvolvimento Econômico) e na Casa Civil, onde aliados de Gonçalves ainda exerciam influência.

Marcos Rocha agora governa em um bunker, cercado apenas por militares e técnicos de extrema confiança. Ao “limpar” a máquina, ele não apenas retoma o controle absoluto, mas garante que seu vice não tenha nenhum recurso ou vitrine para as eleições de 2026. Em Rondônia, a política deixou de ser um jogo de alianças para se tornar um campo de sobrevivência.

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