Deputados de Roraima gastam R$ 1,2 milhão em viagens; parlamentares alegam alto custo logístico e agendas técnicas

No topo da pirâmide de gastos, três nomes concentram quase 35% de todo o valor gasto pela Casa
Redação O Poder
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O exercício do mandato parlamentar em Roraima tem custado caro aos cofres públicos quando o assunto é o deslocamento para fora das fronteiras estaduais. Um levantamento detalhado com base no Portal da Transparência da Assembleia Legislativa (ALE-RR) revela que, entre fevereiro e dezembro de 2025, os 24 deputados estaduais consumiram R$ 1.216.628,25 apenas em diárias oficiais. O montante representa um crescimento de 7% se comparado ao mesmo período de 2024.

No topo da pirâmide de gastos, três nomes concentram quase 35% de todo o valor gasto pela Casa. O deputado Chico Mozart (PP) lidera o ranking com R$ 147.463,75 recebidos por dez viagens. Logo atrás aparecem Gabriel Picanço (Republicanos), com R$ 134,2 mil (14 viagens), e Jorge Everton (União Brasil), com R$ 131,2 mil (9 viagens).

O destino preferencial é a capital federal. Brasília concentra a maioria das agendas, seguida por Manaus (AM) e São Paulo (SP). No entanto, o radar da Transparência também captou voos mais longos: foram registradas missões internacionais para Georgetown, na Guiana, e até para Orlando, nos Estados Unidos, que juntas custaram R$ 66,7 mil aos cofres roraimenses.

 

O “Custo Amazônico” como Justificativa

Procurados para explicar a evolução dos gastos, a cúpula da Assembleia e os deputados citados apresentam uma defesa em bloco baseada na logística regional. O presidente da ALE-RR, Soldado Sampaio, e o deputado Jorge Everton ressaltaram que Roraima enfrenta uma das passagens aéreas mais caras do Brasil devido à baixa oferta de voos, o que infla o custo de qualquer agenda institucional em Brasília.

“Os deslocamentos oficiais são devidamente justificados e pautados pelo interesse público. É preciso considerar que o custo das passagens em Roraima está entre os mais elevados do país”, afirmou Sampaio em nota.

Agendas Técnicas vs. Atividade Parlamentar

Enquanto parte das viagens é justificada por participações em fóruns como a Unale (União Nacional dos Legisladores) e o Parlamento Amazônico, outros parlamentares defendem o caráter técnico das agendas. O deputado Eder Lourinho, por exemplo, destacou que suas viagens a Rondônia visam buscar tecnologias para a cultura do café e do cacau em Caroebe, no sul de Roraima.

Já Chico Mozart vincula sua liderança nos gastos às múltiplas funções que exerce, incluindo a presidência da Comissão de Relações Fronteiriças e da Escolegis, além de sua atuação no Parlamento Amazônico.

O Contraste

Apesar da tendência de alta, a “farra das diárias” não é uma regra absoluta na Casa. Quatro parlamentares fecharam o ano de 2025 sem registrar uma única viagem oficial para fora do estado:

Aurelina Medeiros (PP)

Idazio da Perfil (MDB)

Marcinho Belota (PRTB)

Odilon (Podemos)

Transparência

Um detalhe que chama a atenção na fiscalização dos gastos é a ausência de dados sobre viagens para o interior de Roraima. Segundo a ALE-RR, não há previsão legal para o pagamento de diárias em agendas dentro do estado. Nesses casos, os custos de combustível, hospedagem e alimentação são absorvidos pela Verba Indenizatória, uma cota mensal de R$ 50 mil que cada deputado possui para custear o mandato, além dos salários que podem chegar a R$ 57,6 mil, somando todos os auxílios.

 

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