“Vivo um pesadelo político, mas não fraudei nada”, diz Elan Alencar após cassação pelo TRE-AM

Vereador cassado por fraude à cota de gênero diz que é inocente e vai recorrer da decisão.
Redação O Poder
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O vereador Elan Alencar (Democracia Cristã) afirmou nesta terça-feira (15) que é inocente das acusações de fraude à cota de gênero que levaram à cassação de seu mandato pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM). O parlamentar garantiu que vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que continuará no cargo enquanto o processo estiver em tramitação.

“Eu não fraudei nada. Se aconteceu, foi o partido. Eu, Elan, não tenho nada a ver com nenhum tipo de fraude eleitoral”, declarou o vereador em entrevista. Segundo ele, a decisão foi uma surpresa e representa um “pesadelo político” que pretende superar com a Justiça e o apoio de seus eleitores.

A decisão do TRE-AM, assinada pelo juiz Rafael Rodrigo da Silva Raposo, confirmou a cassação de Elan e declarou a nulidade dos votos da chapa do Democracia Cristã (DC) nas eleições de 2024. O tribunal entendeu que a candidatura de Joana Cristina França da Costa foi fictícia, usada apenas para cumprir a cota mínima de candidaturas femininas.

 Elan responsabiliza o partido pela montagem da chapa

Elan afirma que toda a responsabilidade sobre o registro das candidaturas é do partido, e não dos candidatos individuais. “Eu não registro candidatura de ninguém, não faço filiação de ninguém. Quem errou, que responda. Tecnicamente, sou inocente dessa acusação”, afirmou.

Ele comparou sua situação à de outros vereadores que também enfrentaram processos semelhantes em legislaturas anteriores e reforçou que a Justiça Eleitoral ainda lhe permite recorrer. “A justiça me dá essa condição, e a gente vai lutar até o fim, pelo direito dos 8.600 eleitores que confiaram em mim”, disse.

Mandato segue enquanto recurso é analisado

O vereador segue exercendo suas funções normalmente, já que a decisão ainda não transitou em julgado. Sua defesa prepara recursos que serão apresentados ao pleno do TRE-AM e, posteriormente, ao TSE, em Brasília.

“O que eu preciso é de tempo. Eu confio na Justiça e acredito que a verdade vai prevalecer. A gente está lutando pelo direito não só do meu mandato, mas de todos que acreditaram no nosso trabalho”, afirmou.

Candidato a deputado estadual em 2026

Mesmo com a cassação, Elan Alencar confirmou que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) em 2026. O parlamentar adiantou que deve se filiar ao Avante, partido do prefeito David Almeida, legenda que, segundo ele, “tem viabilidade eleitoral e alinhamento político”.

“Não me torno inelegível em nenhum momento, mesmo se eu for afastado. Vou ser candidato a deputado estadual para encerrar esse pesadelo da minha vida política”, declarou.

Críticas à Prefeitura e elogios à adversária

Durante a entrevista, Elan também cobrou melhorias no sistema de alertas de chuva da Prefeitura de Manaus, afirmando que o serviço “ainda não funciona plenamente”.

Ele também comentou a possibilidade de Glória Carratte, autora da ação que resultou na cassação, reassumir uma cadeira na Câmara. “Temos uma relação amistosa. A vereadora Glória sempre foi uma mulher de fibra e diálogo. Se retornar à Casa, com certeza somará muito”, disse.

Câmara se mantém em silêncio

Procurada, a presidência da Câmara Municipal de Manaus não se manifestou oficialmente sobre o caso até o fechamento desta matéria.

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